Ando literariamente preenchido com as Crónicas de Gelo e Fogo de R. R. Martin. Reservarei uma opinião para quando terminar a leitura, desta aventura carregada de fantasia e magia.
Chega cheio.
Quinta-feira, 3 de Maio de 2012
Segunda-feira, 17 de Outubro de 2011
No teu deserto - Miguel Sousa Tavares

Uma escolha aleatória na Biblioteca Pública, de tantos livros correctamente colocados nas estantes, respeitando uma ordenação alfabética pelo nome do autor, tal como ditam as regras. Um risco, mas que quando não temos nenhum livro em mente, é um risco que vale a pena.
Foi a minha primeira leitura de Miguel Sousa Tavares. Este escritor que é filho da grande escritora Sophia de Mello Breyner, tem consigo o gosto da escrita que ganhou com a sua mãe. Ainda é prematura ter uma opinião sobre a escrita, apesar de ler assiduamente alguns artigos de opinião seus.
Quanto ao No Teu Deserto, é como diz o escritor um quase romance, apesar de ter potencial para ser um romance, um bom romance. É um quase romance porque é um género de elogio e contributo a Cláudia, a sua acompanhante na aventura pelo deserto, uma aventura que consistia em fazer uma reportagem, com registo fotográficos, escritos e vídeos.
Este livro é um livro de saudade, um livro onde fica registado para que não caia no esquecimento a Cláudia, a companhia desta aventura pelo deserto, esta aventura que foi de auto-conhecimento, uma aventura onde foi possível ver duas pessoas completamente distintas, a unirem-se devido às grandes adversidade que esta reportagem desenvolveu. Há uma narração de ambos os lados, tanto do Miguel Sousa Tavares, como de Cláudia. O escritor decidiu entrar na mente feminina e descreveu as situações, isto nem sempre é fácil de ser feito, mas o escritor até conseguiu descrever os acontecimentos de forma lisonjeira.
O quase romance, vem deixar registado a mágoa que ficou, vem registar uma eterna saudade de Cláudia, a saudade de uma viagem que hoje não decorreria da mesma forma, devido ao facto da tecnologia ter-se desenvolvido imenso.
Este é um registo simples e sincero, de uma leitura rápida, e que peca por ter surgido tarde - tarde para a Cláudia, não para o leitor. Uma forma leve e lisonjeadora de homenagear alguém que marcou a sua vida.
O Rio das Flores e Equador são de certo dois livros bastante diferentes deste, serão alvo da minha leitura num futuro bem próximo.
A vida num sopro - José Rodrigues dos Santos
A minha 2ª leitura de José Rodrigues dos Santos. Um livro diferente das aventuras do professor Noronha.
Este livro conta-nos a história amorosa de Luís e Amélia, que se apaixonam ainda adolescentes e que devido às várias circunstâncias da vida, separam-se, reencontrando-se vários anos depois da sua separação. É um romance que decorre no início do Estado Novo, onde é perceptível as condicionantes à liberdade individual, característica bastante intrínseca de qualquer ditadura. Amélia é vitima de um pensamento bastante característico da história portuguesa, o arranjo de casamentos de forma a proporcionar um futuro mais promissor do que aquele que estava destinado. Nos dias de hoje ainda é possível encontrar um ou outro exemplo desta situação, mais no interior do País do que propriamente nas zonas mais industrializadas.
A vida num sopro é um romance que se lê "num sopro", apesar das suas inúmeras páginas. É um livro que não foge ao registo leve e acessível do escritor, uma escrita que consegue cativar massas mas que não é capaz de despertar um interesse literário aos mais cépticos. É perfeitamente visível o facto do escritor ter a faculdade de escrever inúmeras páginas por dia, e assim, publicar os seus livros com pouca diferença de tempo de um para o outro. Tira espectacularidade às suas obras, tira genialidade, tira potencial literário, mas é compreensível, os seus livros são fenómenos de vendas em Portugal, se tivesse as características que anteriormente anunciei, jamais seria um best-seller português. É de um enquadramento político importante, que ajuda a caracterizar a sociedade da época, dá a conhecer aspectos que os mais jovens desconhecem. Eu gostei de o ler porque ainda não tenho um estilo literário definido, vou lendo de tudo um pouco, para que possa criar esse estilo. Até lá, todo o livro é bem-vindo, seja ele um fenómeno de vendas, seja ele um simples livro de uma única edição.
É minha intenção ler mais uns livros do José Rodrigues dos Santos, a sua escrita leve ajuda a desanuviar o pensamento.
CODEX 632 - José Rodrigues dos Santos
Cristóvão Colombo e os Descobrimentos são o mote deste livro do, bem conhecido jornalista, José Rodrigues dos Santos. O Codex 632 aborda todo o mistério em volta da nacionalidade de Cristóvão Colombo, como também alguns dos supostos segredos da época dos Descobrimentos.O professor Noronha, personagem principal da obra, vai investigar o passado de Cristóvão Colombo, baseando-se em manuscritos da época, recorrendo a especialistas em diversas áreas. Reconheço que deixa o leitor bastante intrigado com estas questões, que são baseadas em documentos verídicos, e que leva a certo momento não conseguir discernir o que real do que é romance. A história paralela à intriga principal, o dia-a-dia da família Noronha, ajuda a que hajam momentos de desconexão do enredo principal. Um pequeno apontamento sobre a Trissomia 21, a sua explicação e o dia-a-dia de uma criança que tem este sintoma - a filha do professor Noronha. Uma boa chamada de atenção.
É um livro bastante agradável de ler, uma leitura bastante acessível e rápida, onde a curiosidade aumenta a cada página que viramos. O escritor é considerado como sendo o Dan Brown português, concordo porque o estilo assemelha-se em muito com o escritor norte-americano. Apesar da comparação, José Rodrigues dos Santos está ainda longe do brilhantismo, dos enredos e da forma como conduz as investigações de Dan Brown. O uso abusivo de datas, citações em outras línguas, tornam o Codex 632 num livro onde a investigação e o romance entrelaçam-se, mais do que era suposto, pois retira alguma da atenção que despertou anteriormente no leitor. Compreendo que o escritor tenha tido a intenção de tornar os factos o mais verídicos possíveis, fica a intenção.
Continuarei a ler José Rodrigues dos Santos, é um estilo leve e cativante, é um escritor que escreve para as massas, é um escritor que dá imenso lucro à editora que o representa. Este género de escritores são essenciais à sociedade porque cativam o leitor que não tem por hábito a leitura. Bom ou mau, um livro é sempre um livro - é o leitor que faz o livro.
Terça-feira, 21 de Junho de 2011
Marina - Carlos Ruiz Zafón

Marina é o terceiro livro do escritor espanhol Carlos Ruiz Zafón traduzido para português e, consequentemente, o terceiro livro que leio deste escritor.
O livro fala-nos (sim, os livros falam!) da história de um rapaz Óscar, que vive num orfanato, e um dia numa das suas escapatórias no referido orfanato, encontra Marina, uma bela rapariga pela qual vai se apaixonar. A partir daqui será um turbilhão de aventuras, de sentimentos, de fantasia e segredos que se encontram guardados no mais profundo dos lugares. Mais uma vez tem como plano de fundo a cidade de Barcelona, e com a leitura do terceiro livro de Zafón, começo a ter a sensação que conheço Barcelona. Este não é o principal assunto do livro, a história de uma cantora lírica e um milionário, marca este livro, tanto que poderia ter sido escrito num livro à parte e classificado como um romance de "terror", porém, o escritor decidiu incorporá-lo neste mesmo livro. Há duas histórias no livro, uma contada por terceiros, outra pelos próprios.
Apesar de ter sido o último livro traduzido para português, este é anterior aos outros dois, e nota-se que o número de páginas escritas tem vindo aumentar sucessivamente!
O livro Marina, é mais um livro onde é notório toda a criatividade do escritor, porém, gostava de ler um livro num registo diferente, que não fosse um conjunto de aventuras pela cidade de Barcelona, interpretado por duas personagens principais, uma masculina e outra feminina. Aguardemos por mais uma tradução.
Carlos Ruiz Zafón afirma que este livro, Marina, é um dos seus favoritos, não é o meu favorito do mesmo, esse continua a ser A Sombra do Vento. Há uma expressão que guardo deste livro: "Apenas recordamos aquilo que não vivemos.". É uma expressão que resume bem todo o enredo que envolve esta obra.
Para os leitores que gostam de ler livros pouco complexos, com uma escrita acessível e de rápida leitura, este é um bom livro, motiva-nos a continuar no prazer da leitura. Porém, aguardo maior complexidade nos próximos livros de Carlos Ruiz Zafón.
Título: Marina
Editora: Planeta Editora
Autor: Carlos Ruiz Zafón
Quinta-feira, 2 de Junho de 2011
O Processo - Franz Kafka

A minha primeira leitura da obra de Franz Kafka. O acesso às obras de Franz Kafka só é possível porque o seu grande amigo Max Brod, não cumpriu a ordem que o mesmo tinha indicado, queimar todas as suas obras. Um grande gesto por parte Max Brod.
Tal como é-nos indicado na obra, trata-se de uma novela inacabada que Max Brod tratou de organizar os capítulos que a compõem, baseando-se na leitura da novela que Kafka o presenciou.
A história desenrola-se em torno da personagem Joseph K., um bancário que certa manhã acorda e é acusado de um crime que desconhece, mas que durante todo o enredo jura que está inocente. Toda esta tramóia que assolou Joseph K. será narrada na novela. Quanto ao final, vou ocultar para não retirar a curiosidade de ler esta obra.
É notória a crítica à burocracia que envolve o desenvolvimento de um processo judicial, perfeitamente visível nos dias de hoje, apesar de ser uma obra do início do século XX. Recordei nesta mesma obra, algumas das características de Dostoiévski, isto é, na complexidade da construção mental da personagem principal e os conflitos interiores, a obscuridade presente na sociedade da época que se veio espelhar na escrita de Kafka. Apesar de não conhecer a razão pela qual foi acusado, Joseph K. declarou-se sempre inocente.
É perceptível que se trata de uma obra inacabada, que o seu fim foi provocado por um desejo de deixar a obra com um início e um fim.
Não foi dos melhores livros que já li, porém gostei do enredo e da complexidade que Kafka emplementa nas suas personagens.
Título: O Processo
Título original: Der Prozess
Autor: Franz Kafka
Tradução: Gervásio Álvaro
Quinta-feira, 12 de Maio de 2011
Cemitério de Pianos de José Luís Peixoto
Cemitério de Pianos é uma obra de José Luís Peixoto. Ganhou o Prémio Saramago em 2001, tem obras publicadas em vários países. Um dos novos prodígios da literatura portuguesa do século XXI.A acção da obra literária, decorre na cidade de Lisboa, nos arredores da freguesia de Benfica, não é possível especificar em que tempo a acção se desenrola, porém, vou ter em conta uma nota do autor, por isso, 1912. O drama será o género que melhor descreve esta obra, marca com intensidade os acontecimentos.
Esta obra tem em Francisco Álvaro, pai e filho, as personagens principais da acção, desenvolvendo também o papel de narradores da acção. Outras personagens com algum peso serão: a mulher de Francisco Álvaro (dirige-se sempre a ela como sendo a "minha mulher"); Simão, irmão de Francisco Álvaro (filho); Marta e Maria, irmãos de Francisco Álvaro (filho); as crianças: Hermes, Elisa e Ana (netos de Francisco Álvaro. Outras personagens aparecem no decorrer da acção, porém, sem qualquer peso no seu desenrolar.
É uma obra que narra a história de um atleta português - Francisco Lázaro - que faleceu na Maratona de Estocolmo em 1912. O escritor alienou este acontecimento a uma série de histórias, onde o narrador utiliza a elipse para narrar os acontecimentos. Estamos perante dois narradores, Francisco Lázaro: o pai e o filho. O narrador principal é Francisco Lázaro, pai, que conta a história da sua vida, pelo meio, temos acontecimentos narrados pelo Francisco Lázaro, o filho. Uma história marcada pela tristeza, pelo drama, pela violência doméstica, da família de Francisco Lázaro, uma história homoníma de tantas familías portuguesas.
Fica o sentimento que a história já se repetiu algum tempo atrás, porém, a história é a mesma, bem como os seus protagonistas, o que há são inversões temporais que levam a que o leitor fique com a sensação que há duas histórias semelhantes, senão a mesma. O recurso estilístico, elipse, é o que provoca esta aligeirada confusão temporal. É um bom exemplo de um Romance Moderno, pois reúne em si os três tempos: passado, presente e futuro, não havendo uma qualquer distinção entre ambos. A obra está bem estruturada, há o recurso a uma panóplia de recursos estilísticos, o que só contribui para o enrequecimento da mesma. Já antes tinha afirmado, e volto a frisar, José Luís Peixoto tem uma escrita muito singular e autónoma. É um escritor a seguir com bastante interesse e atenção, tendo em conta a evolução que as suas obras têm sofrido com o passar do tempo.
Título original: Cemitério de Pianos
Autor: José Luís Peixoto
Editora: Bertrand, 2006
Sexta-feira, 29 de Abril de 2011
O Assassino Inglês - Daniel Silva
Um livro de espionagem, o primeiro que li do género. Apesar de não ser o meu género literário favorito, este livro foi uma agradável surpresa.Daniel Silva é um escritor luso-descendente, filho de pais açorianos, de livros sobre espionagem, considerado por inúmeros críticos como estando ao nível de outros conceituados escritores da espionagem, tal como La Carré.
Quanto à narrativa, toca num ponto sensível que é o saque de arte que ouve durante a Segunda Guerra Mundial, e as consequências que isso acarretou. Gabriel Allon, espião e recuperador de arte, é contratado para recuperar um quadro de Rafael, em Zurique. Todavia, quando chega a Zurique, vai deparar-se com o assassinato da pessoa que o mandou contratar. É a partir deste momento que toda a história se vai desenrolar, onde atinge o seu auge, no encontro entre Gabiel Allon e o "Assassino Inglês". É uma narrativa cheia de suspanse, o escritor consegue cativar bem o leitor, em relação ao fim da história, o autor poderia ter terminado de forma mais célebre, pois todo o desenrolar da história prometia um final mais interessante e apoteose.
Este é um livro pertencente a um estilo que marcou a década passada e continua a marcar este início de década, um estilo populista, com histórias com enredos cheios de acção e aventura, porém, pouco condimentados em conteúdos que abordem questões pertinentes nas mais várias áreas. É um livro, é um autor, que dá lucro às editoras, e no fim, este é o grande objectivo das mesmas. No entanto, gostei de o ler e sugiro aqueles que não se dedicam a grandes leituras, é um livro que vos vai levar a querer chegar ao fim, o que é óptimo. Uma mensagem a reter deste livro: a persistência, o treino e o querer, são características intrínsecas a um vencedor.
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